[POLUIÇÃO MARINHA: VOCÊ SABE O QUE SÃO MICROPLÁSTICOS?]

O microplástico, como o nome sugere, é uma partícula muito pequena de plástico (alguns pesquisadores consideram o seu tamanho máximo como sendo de 5 milímetros). Esse material, que é facilmente misturado e confundido com o ambiente no qual se deposita, é um dos principais poluentes dos oceanos. O microplástico que chega aos oceanos vem do descarte inadequado de plástico pelos seres humanos, de forma que, quando não descartado da maneira adequada, o produto descartado passa por um processo de quebra mecânica (pela chuva, pelo vento e/ou pelo mar), se tornando em pequenos fragmentos de plástico, ou seja, em microplástico.

Fonte: http://www.ambientelegal.com.br/ambientes-marinhos-e-de-agua-doce-no-brasil-sofrem-com-poluicao-por-microplasticos/

 
Em virtude do seu tamanho minúsculo, o microplástico oferece uma série de riscos diretos aos animais marinhos, bem como riscos indiretos aos seres humanos, afetando, assim, todo o ecossistema. A 11º Conferência das Partes (COP-11, Montreal – Canadá, 2005) reconheceu o alto índice de lixo sólido no mar e em ambientes costeiros como se tratando de um problema global, além de ser declarado uma das principais ameaças à biodiversidade marinha.

O plástico no oceano causa grandes riscos de emaranhamento pelos animais, onde o lixo plástico se enrosca nos membros do animal, ou prende-se ao seu corpo por outras vias, causando afogamento, asfixia ou estrangulamento, tornando-o, também, mais suscetível aos ataques de predadores, pois pode diminuir a capacidade de locomoção do animal atingido. Outrossim, ainda há a problemática da bioinvasão, onde algumas espécies se alojam nos resíduos plásticos e são carregadas para longe do seu habitat natural pelas correntes oceânicas.

Fonte: https://www.wilsonvieira.net.br/2018/03/a-ilha-de-lixo-do-pacifico-tem-16-vezes.html

 
Ainda quanto à biodiversidade marinha, os animais marinhos podem ser afetados pelo microplástico por meio da ingestão: o microplástico, ao ser ingerido pelo animal, consegue atravessar barreiras do organismo, se acumula e penetra nos tecidos e nos órgãos dos animais. Essa ingestão ocasiona inúmeros efeitos adversos no organismo, dentre os quais pode-se citar: inibição de crescimento, desordens comportamentais e alimentares, alteração do processo fotossintético e disfunção reprodutiva, além da morte desses animais. Além disso, ao ingerir esse material, o animal pode sofrer ferimentos e, ainda, tem uma falsa sensação de saciedade, que o faz parar de comer e pode levá-lo à desnutrição.

Ainda, o microplástico também pode oferecer diversos riscos à saúde humana. A forma mais frequente de contaminação ocorre por meio do consumo de água e de alimentos contaminados pelo microplástico. Quando os microplásticos contaminam os animais marinhos (nesse caso, os que servem de alimento para os seres humanos), ocorre um desequilíbrio na cadeia alimentar dos seres vivos, afetando a saúde humana. Alguns pesquisadores afirmam que o consumo de animais contaminados e a água com partículas plásticas pode causar implicações no intestino e ocasionar efeitos tóxicos por causa da habilidade que o microplástico possui de induzir bloqueio intestinal e/ou tecidual e, ainda, inflamações.


Assim, como o microplástico se acumula e penetra nos tecidos e nos órgãos dos animais, ao nos alimentarmos desses seres estamos indiretamente consumindo microplástico. Além do que, o microplástico atrai para si diversos elementos químicos que estão presentes em grandes quantidades no oceano, como chumbo, que acabam chegando ao corpo humano pelo consumo desses animais. Soma-se ainda o fato de que diversas pesquisas já demonstram a presença de microplástico no sal de cozinha ou na água que consumimos, sendo encontro também no intestino humano, o que demonstram que já estamos consumindo microplástico.

 
Em virtude dessa problemática, diversas ações estão sendo tomadas com o intuito de reduzir a quantidade de plástico produzida e utilizada por nós, seres humanos. A União Europeia promoveu medidas para cortar o uso de plásticos, como banir, a partir de 2021, itens descartáveis de plástico (como cotonetes, talheres, pratos, canudos e mexedores de bebidas), limitar o uso de embalagens de comida, copos e tampas, estabelecer que todas as garrafas plásticas precisarão ter, no mínimo, 30% de material reciclado até 2030, entre outras. Aqui no Brasil, o Rio de Janeiro foi a primeira cidade a proibir canudos de plástico em bares, restaurantes, lanchonetes, etc. Além disso, ações simples e individuais também podem ser tomadas para que esse problema possa ser reduzido.

Por: Carol Batista


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REFERÊNCIAS:

ARAÚJO, Maria Christina Barbosa de; SILVA-CAVALCANTI, Jacqueline Santos. Dieta indigesta: milhares de animais marinhos estão consumindo plásticos.  Curitiba, Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade, p.76, 2016.

CAIXETA, Danila Soares; CAIXETA, Frederico César; FILHO, Frederico C. M.M. Nano e Microplásticos nos ecossistemas: impactos ambientais e efeitos sobre os organismos. Goiânia, Centro Científico Conhecer, p.24-25, 2018.

MARTINS, Gabriel. Denise Hamú, representante da ONU Meio Ambiente no Brasil: “Teremos mais plástico que peixes nos mares”. Jornal O GLOBO. Publicado em: 19 jun. 2017. Disponível em: <https://oglobo.globo.com>.  Acesso em: 13 fev. 2019.

NUCCI, Juliana Maia Rabelo. Lixo marinho com enfoque em resíduos plásticos.Dissertação (Graduação) – Universidade Presbiteriana Mackenzie. Centro de Ciências Biológicas e da Saúde. Curso De Ciências Biológicas. São Paulo, 2010.

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